Múcio diz que abriria o portão em caso de invasão dos EUA ao Brasil
Ministro da Defesa respondeu em tom de brincadeira a pergunta sobre hipótese de ataque americano e usou a frase para defender mais recursos para as Forças Armadas
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que a reação brasileira a uma eventual invasão dos Estados Unidos seria "abrir o portão". A frase foi dita em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na terça-feira (4), em resposta à pergunta de um jornalista sobre a hipótese, e serviu de mote para o ministro cobrar mais recursos para as Forças Armadas.
"Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão", declarou Múcio, em tom de brincadeira. Procurado, o Ministério da Defesa não respondeu ao pedido de esclarecimento feito pelo Poder360 até a publicação da reportagem.
A frase serviu de argumento orçamentário
Ao responder, o ministro sustentou que o Brasil investe proporcionalmente menos em defesa do que outros países e enfrenta restrição orçamentária permanente. Citou a concorrência por recursos com saúde, educação e assistência social, disputa que, segundo ele, torna politicamente difícil defender aumento de verba para o setor militar.
O argumento não é novo no discurso da pasta. A Defesa vem sustentando desde o início do mandato que a reposição de equipamento, a manutenção de frota e os programas estratégicos das três Forças dependem de previsibilidade orçamentária, algo que o contingenciamento anual costuma inviabilizar.
Por que o assunto interessa a Brasília
O comando das três Forças e o Ministério da Defesa ficam na Esplanada dos Ministérios, e o Distrito Federal concentra parte relevante do efetivo militar e do orçamento de custeio da pasta. Decisões sobre investimento em defesa se refletem em contratos, obras e movimentação de pessoal na capital.
O que está em jogo no orçamento da Defesa
- Custeio: manutenção de aeronaves, navios e viaturas, além de combustível e treinamento.
- Pessoal: a maior fatia da despesa da pasta, com folha de ativos e inativos.
- Programas estratégicos: submarinos, cargueiro militar e sistemas de monitoramento de fronteira.
- Contingenciamento: bloqueio de parte do orçamento ao longo do ano, que atinge sobretudo investimento.
A repercussão
A fala circulou nas redes sociais ao longo da terça-feira e foi reproduzida por veículos de alcance nacional. Até a tarde desta quarta-feira (5), o Ministério da Defesa não havia divulgado nota para contextualizar a declaração nem para corrigir o tom da resposta.
Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão.
Múcio é ministro da Defesa desde janeiro de 2023. Antes de assumir a pasta, foi ministro do Tribunal de Contas da União, corte que chegou a presidir, e deputado federal por Pernambuco.
Quanto o Brasil gasta com defesa
A comparação usada no debate internacional é a razão entre despesa militar e Produto Interno Bruto. Países da Otan firmaram compromisso de destinar ao menos 2% do PIB ao setor, patamar que o Brasil não alcança. É esse descompasso que o ministro invocou ao dizer que falta equipamento.
A conta brasileira tem uma particularidade: a maior parte da despesa da pasta vai para pessoal, ativos e inativos, o que deixa margem estreita para investimento em meios operacionais. Reequipar frota exige contrato plurianual, e contrato plurianual exige garantia de que o dinheiro não será bloqueado no meio do caminho.
O que ainda falta esclarecer
Não há, até agora, manifestação oficial da pasta sobre a declaração nem indicação de que o governo pretenda revisar a proposta orçamentária da Defesa para 2027 em função do debate. O projeto de lei orçamentária do próximo ano ainda será enviado ao Congresso, e é nesse texto que a discussão sobre o percentual destinado ao setor volta à mesa.