Saude

Estudo com 14,5 milhoes de pessoas traca panorama das hepatites virais no Brasil

Revisao do Einstein analisou 200 trabalhos cientificos publicados entre 2013 e 2024 e mapeou a circulacao dos cinco tipos da doenca no pais.

Um estudo do Einstein Hospital Israelita reuniu 200 trabalhos cientificos e dados de 14,5 milhoes de pessoas para tracar o panorama das hepatites virais no Brasil entre 2013 e 2024. A revisao, publicada na revista cientifica internacional PLOS ONE e divulgada nesta segunda-feira (3/8), cobre os cinco tipos da doenca reconhecidos: A, B, C, D e E.

O trabalho foi financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Unico de Saude (Proadi-SUS), criado em 2009, e coordenado pelo medico Joao Renato Rebello Pinho, do Departamento de Patologia Clinica do Einstein.

O que os numeros mostram

A soroprevalencia, indicador que mede a proporcao de pessoas com marcadores do virus no sangue, variou bastante conforme o tipo de hepatite e o grupo analisado:

  • Hepatite A: de 33,3% a 67,8% na populacao geral. Nas populacoes encarceradas, 88,1%; entre imigrantes, 87,4%; entre pessoas transgeneras, 75,6%;
  • Hepatite B: de 0% a 7,5% na populacao geral;
  • Hepatite C: de 0,04% a 2,2% na populacao geral e 36,9% entre pessoas que usam drogas;
  • Hepatite D: de 0% a 23,9% na regiao amazonica;
  • Hepatite E: de 0,9% a 59,4% na populacao geral, com os valores mais altos na regiao Sul.

A amplitude dos intervalos reflete a diversidade dos estudos reunidos, feitos em regioes e grupos populacionais diferentes ao longo dos onze anos. A concentracao em populacoes especificas, como pessoas privadas de liberdade e usuarios de drogas injetaveis, e o achado que mais se repete no levantamento.

Os dados do sistema oficial de notificacao dao a dimensao acumulada do problema. O Brasil confirmou 826.292 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024. A hepatite C responde por 41,5% do total, com 342.328 registros, seguida pela hepatite B, com 36,6% e 302.351 casos, e pela hepatite A, com 21,2% e 174.977 ocorrencias. Hepatite D soma 4.722 casos e hepatite E, 1.914.

O pais assumiu o compromisso de eliminar as hepatites B e C como problema de saude publica ate 2030, meta alinhada as diretrizes da Organizacao Mundial da Saude. O Ministerio da Saude mantem um guia especifico com as estrategias para chegar la. A lacuna mais citada por especialistas e a mesma apontada no estudo do Einstein: cobertura insuficiente de testagem, o que atrasa o inicio do tratamento.

O que isso significa para quem mora no DF

As hepatites B e C sao as que mais preocupam pelo potencial de evolucao silenciosa para cirrose e cancer de figado. A Secretaria de Saude do Distrito Federal orienta que o diagnostico precoce e a principal ferramenta contra a doenca, ja que boa parte dos infectados nao apresenta sintomas por anos.

O teste rapido para hepatites B e C esta disponivel gratuitamente na rede publica do DF, assim como a vacina contra a hepatite B, incluida no calendario nacional de imunizacao e oferecida sem limite de idade. A hepatite A tambem tem vacina disponivel para criancas na rede publica.

A recomendacao geral de testagem vale para quem recebeu transfusao de sangue antes de 1993, compartilhou material perfurocortante, fez procedimento estetico ou odontologico sem esterilizacao adequada ou teve relacao sexual sem preservativo. O exame tambem e oferecido na rotina do pre-natal.

Leia tambem: projeto obriga o SUS a aceitar exame feito na rede privada.

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