Lula diz que não aceita facção tratada como terrorista e cita Trump
Presidente falou no Rio, em evento com a cúpula da segurança pública, ao assinar três convênios de retomada de territórios
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 18 de setembro, no Rio de Janeiro, que não aceita a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, como fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi dada no Complexo da Polícia Rodoviária Federal, em evento que reuniu a cúpula da segurança pública das esferas federal, estadual e municipal.
"Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções são terroristas, como diz o Trump", disse Lula, segundo a Agência Brasil. O presidente completou: "Quando Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado".
Lula também associou o interesse norte-americano no tema a recursos naturais brasileiros. "Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo", afirmou.
O que Trump havia dito
A fala responde a declaração de Trump feita em 15 de setembro, quando o norte-americano criticou o Brasil por falhas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho e tratou as duas organizações como grupos terroristas. A classificação abre caminho, na legislação dos Estados Unidos, para sanções financeiras contra pessoas e empresas ligadas aos grupos.
O tema já havia aparecido no relatório antidrogas do governo norte-americano divulgado nesta semana. O Brasil ficou fora da lista de países que, na avaliação de Washington, descumprem acordos internacionais de combate ao narcotráfico, mas o documento cita as duas facções nominalmente.
Os três convênios assinados no Rio
No mesmo evento, o governo federal assinou três convênios voltados à retomada de áreas dominadas pelo crime organizado no estado:
- proteção de corredores logísticos;
- política de reocupação territorial;
- capacitação da Força Municipal.
Participaram do ato o governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, e o prefeito da capital fluminense, Eduardo Cavaliere.
A disputa sobre a nomenclatura tem efeito prático. Tratar facção como organização terrorista muda o tipo de cooperação internacional possível, o alcance das sanções financeiras e o grau de envolvimento de agências estrangeiras em operações no território brasileiro. O governo brasileiro tem sustentado que as organizações devem ser enfrentadas como crime organizado, com investigação patrimonial e asfixia financeira.
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