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Brasil fica fora da lista antidrogas dos EUA, mas Trump cita PCC e CV

Relatório enviado ao Congresso norte-americano não inclui o país entre os principais produtores nem entre os que falharam no combate ao tráfico; Ministério da Justiça rebateu

O Brasil ficou de fora das duas listas do relatório antidrogas que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou ao Congresso norte-americano em 15 de setembro, mas aparece no texto com uma cobrança direta: a de que o governo brasileiro não conseguiu conter o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O documento é o relatório anual que a Casa Branca encaminha ao Legislativo para identificar os países considerados relevantes no tráfico de drogas, agora referente ao ano fiscal de 2027. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil em 16 de setembro.

Na avaliação sobre o Brasil, o texto afirma que "o governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína". O relatório acrescenta que "essas organizações terroristas brasileiras constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo".

O que as listas dizem, e o que não dizem

O relatório organiza dois grupos distintos. O primeiro reúne os países classificados como principais produtores ou rotas de trânsito de drogas: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.

O segundo é mais severo e lista os governos que, na avaliação norte-americana, falharam de maneira demonstrável no cumprimento de acordos antidrogas: Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela.

O Brasil não aparece em nenhuma das duas. A menção ao país está no corpo do texto, em trecho que trata da expansão das facções brasileiras, e não nas classificações formais que podem gerar sanção ou corte de ajuda.

A distinção importa porque o enquadramento na segunda lista abre caminho, na legislação dos Estados Unidos, para restrições de assistência econômica. O relatório mantém o Brasil fora desse rol e concentra a crítica na atuação das duas facções.

A resposta do governo brasileiro

O Ministério da Justiça e Segurança Pública rebateu a avaliação. Em nota, a pasta afirmou que "a posição estampada na referida nota desconsideraria, se acolhida em todos os seus termos, os esforços do Governo Federal no enfrentamento ao crime organizado".

O ministério citou dois instrumentos recentes: a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio. A resposta também foi registrada pelo Poder360.

A designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelo governo dos Estados Unidos entrou em vigor em 5 de junho de 2026. A medida permite bloqueio de bens e restrições financeiras a quem for apontado como integrante ou apoiador dos grupos em território norte-americano.

No Distrito Federal, a presença das duas facções é objeto de operações recorrentes da Polícia Civil, sem que se configure domínio territorial nos moldes de São Paulo e do Rio de Janeiro (entenda por quê).

O relatório norte-americano não detalha quais medidas o governo brasileiro deixou de adotar nem apresenta dados de apreensão ou de fluxo de cocaína que sustentem a afirmação sobre o papel do Brasil na rota global.

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