Lula endurece defesa do fim da escala 6x1 às vésperas do 1º de Maio
Governo aposta na PEC como pauta eleitoral; 65% dos brasileiros apoiam a mudança, aponta pesquisa
O presidente Lula intensificou a defesa pela extinção da jornada 6x1 em declarações feitas em dezembro de 2025 e nas semanas seguintes, com o governo apostando na pauta como trunfo eleitoral para o 1º de Maio de 2026. A PEC 8/25, apresentada pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), tramita na Câmara sob relatoria do deputado Luiz Gastão (PSD-CE).
Pesquisa Nexus de abril de 2025 mostrou que 65% dos brasileiros são favoráveis à redução da jornada de trabalho. Na escala atual, os trabalhadores cumprem 2.288 horas anuais, contra 2.080 horas no modelo 5x2. A diferença de 208 horas ao ano é o centro do debate sobre produtividade e qualidade de vida.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), listou o fim da 6x1 como prioridade para o primeiro semestre de 2026. O governo federal articula que a votação coincida com as celebrações do Dia do Trabalho, data historicamente ligada ao PT, para potencializar o impacto político da medida.
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e o setor de comércio resistem à mudança, argumentando impacto na competitividade. Já a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) trabalham nos bastidores para viabilizar os votos necessários para aprovar a PEC.
Para Brasília, a aprovação teria impacto direto em trabalhadores do comércio, segurança privada, saúde e serviços — segmentos que concentram grande parte da mão de obra no Distrito Federal.