Receita diz que 90% das empresas já emitem nota no modelo da reforma
Piloto da Receita Federal já processou mais de 30 bilhões de documentos fiscais. Setor financeiro tem modelo em outubro e o imobiliário em dezembro de 2026.
Mais de 90% das empresas brasileiras já conseguem emitir documento fiscal no modelo que valerá com a reforma tributária, afirmou o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas. O número foi apresentado nesta sexta-feira, 18, quando o órgão anunciou uma força-tarefa de orientação a empresários e contadores.
O dado sai do sistema piloto que a Receita mantém em operação desde janeiro de 2026. Segundo Barreirinhas, já passaram por ele mais de 30 bilhões de documentos fiscais, e a consulta ao andamento está aberta em tempo real na plataforma do órgão. A declaração foi publicada pelo Poder360.
Ela já existe. A reforma já está em piloto desde o início do ano
O que a força-tarefa vai fazer
A ação reúne a Receita Federal, o Conselho Federal de Contabilidade, o Sebrae e a Fenacon, federação que representa as empresas de serviços contábeis. O foco declarado é orientar sobre as regras novas e conter desinformação, com prioridade para micro e pequenas empresas, que são as que menos têm estrutura interna para acompanhar mudança de sistema fiscal. As quatro entidades têm representação no Distrito Federal, onde a Fenacon e o Conselho Federal de Contabilidade mantêm sede nacional.
A escolha do público não é aleatória. Empresa grande já roda em ambiente de teste há meses, com equipe tributária dedicada. O comércio de bairro, o prestador de serviço e o microempreendedor dependem do escritório de contabilidade, e é nesse elo que a Receita concentrou o esforço de comunicação.
O calendário que falta cumprir
A operação definitiva do novo sistema está marcada para janeiro de 2027. Até lá, dois setores ainda esperam modelos próprios de documento fiscal, porque as operações deles não cabem no formato geral:
- setor financeiro: modelos previstos para outubro de 2026;
- setor imobiliário: modelos previstos para dezembro de 2026.
Quem não migrou até agora não está automaticamente irregular. O sistema segue em piloto, e a emissão pelo modelo antigo continua valendo enquanto durar a transição. O risco é de outra ordem: chegar a janeiro de 2027 sem ter testado a emissão, num mês em que todo o país troca de trilho ao mesmo tempo.
Para o empresário que ainda não abriu o assunto com o contador, três perguntas resolvem o diagnóstico inicial: o sistema emissor usado hoje já foi atualizado pelo fornecedor; a empresa consegue emitir no ambiente de teste; e o cadastro de produtos e serviços está classificado no padrão que a nova nota exige.
No Distrito Federal, o prazo de adaptação dos sistemas já havia colocado empresas em corrida no começo de agosto, depois de ato conjunto da Receita Federal com o Comitê Gestor do IBS. O DistritoNews mostrou o caso na ocasião. Um mês e meio depois, o recado da Receita mudou de tom: em vez de prazo, o que o órgão passou a oferecer é orientação, sinal de que a adesão técnica avançou mais rápido que o entendimento das regras.
A reforma tributária sobre o consumo foi aprovada pela Emenda Constitucional 132, de 2023, e substitui cinco tributos por dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços, de estados e municípios. A transição vai até 2033, com os dois sistemas convivendo por anos. O documento fiscal é a primeira engrenagem a mudar, e é ela que o piloto está testando.