Correio/Opinião: 75,8% no DF defendem prisão para fraudadores do BRB
Levantamento ouviu eleitores em 31 das 33 regiões administrativas entre 30 de julho e 1º de agosto
Três em cada quatro eleitores do Distrito Federal defendem a condenação e a prisão dos responsáveis pela fraude bilionária no Banco de Brasília (BRB), segundo a pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política divulgada nesta semana. O apoio à punição chegou a 75,8% dos entrevistados.
O levantamento foi feito entre 30 de julho e 1º de agosto, em 31 das 33 regiões administrativas do DF. A margem de erro é de 3,3 pontos percentuais e o registro na Justiça Eleitoral tem o código DF-04077/2026.
Como ficou a distribuição das respostas
O quadro apurado pelo instituto foi o seguinte:
- 75,8% afirmam que os envolvidos devem ser condenados e presos;
- 17,4% dizem que não devem ser condenados e presos;
- 6,8% não souberam responder.
O tema chegou à pesquisa por causa das negociações do BRB para a compra do Banco Master, que resultaram em operação da Polícia Federal e em bloqueio bilionário determinado pelo Supremo Tribunal Federal. O caso arrasta o banco público do DF desde o fim de 2025 e continua a produzir desdobramentos administrativos e judiciais.
Assembleia do banco marcada para 24 de agosto
O próprio BRB convocou assembleia de acionistas para 24 de agosto, com a finalidade de deliberar sobre medidas contra ex-dirigentes ligados ao negócio. É nessa instância que os acionistas decidem se autorizam ação de responsabilidade civil contra administradores, instrumento previsto na Lei das Sociedades por Ações.
O Governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, o que coloca a decisão da assembleia sob acompanhamento direto da opinião pública local. O banco atua como agente financeiro de programas do GDF e mantém a folha de pagamento de servidores distritais.
Por que o número importa na eleição
A pesquisa foi a campo em plena temporada de convenções partidárias no Distrito Federal, e o assunto já apareceu em levantamentos anteriores do mesmo instituto sobre os efeitos do caso Master no cenário eleitoral do DF. Com 2,25 milhões de eleitores aptos, o Distrito Federal escolhe em 4 de outubro governador, dois senadores, oito deputados federais e 24 deputados distritais.
Índices acima de 70% em uma única alternativa são raros em pesquisas de opinião sobre temas econômicos, que costumam apresentar dispersão maior entre as respostas. No caso do BRB, o percentual de indecisos ficou em 6,8%, abaixo do usual para perguntas que envolvem processos judiciais em andamento.
O que ainda não está definido
Nenhum dos investigados foi condenado. As apurações correm na esfera criminal, sob acompanhamento do STF em razão de foro, e na esfera administrativa, no Banco Central e nos órgãos de controle. A pesquisa mede percepção pública, não responsabilidade jurídica.
O BRB não se manifestou sobre o resultado da pesquisa até a publicação desta reportagem. A assembleia do dia 24 de agosto é o próximo marco público do caso.
O que mais saiu no mesmo levantamento
A rodada da pesquisa Correio/Opinião trouxe outros recortes do cenário do DF, todos com o mesmo registro na Justiça Eleitoral. Entre eles, a aprovação da gestão da governadora Celina Leão, medida em 51,9%, e os cenários para o Senado e para a Câmara dos Deputados, com dois nomes à frente em cada disputa.
Pesquisas registradas precisam informar contratante, valor, período de campo, metodologia e margem de erro, dados que ficam disponíveis no sistema PesqEle da Justiça Eleitoral. Levantamentos sem registro não podem ser divulgados em período eleitoral.