Brasil vive melhor junho de exportação de café em 34 anos
Embarques de café do Brasil cresceram 26,3% em junho ante o mesmo mês de 2025, no melhor resultado para o período em mais de três décadas.
As exportações brasileiras de café somaram cerca de 2,96 milhões de sacas de 60 quilos em junho, alta de 26,3% na comparação com o mesmo mês de 2025. É o melhor desempenho para um mês de junho em 34 anos.
A receita cambial gerada pelos embarques ficou em US$ 1,045 bilhão, avanço de 2% ante junho do ano passado, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pelo setor.
O salto no volume aparece num contexto de recomposição da oferta. Com a colheita da safra 2026/27 avançando, os cafeicultores aceleraram a venda de estoques e a preparação de lotes para embarque.
O quadro do semestre, no entanto, é mais modesto. Entre janeiro e junho, o país exportou cerca de 16,39 milhões de sacas, queda de 15,5% frente às 19,4 milhões do mesmo período de 2025.
A receita do semestre também recuou. Foram US$ 6,57 bilhões, ante US$ 7,83 bilhões um ano antes, retração de 16%.
A leitura combina dois movimentos. No primeiro semestre, o volume caiu porque a safra anterior chegou ao fim com estoques enxutos. Em junho, a virada da colheita destravou embarques represados.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. Oscilações na oferta do país mexem diretamente com os preços da bebida no mercado internacional.
O arábica, mais valorizado, responde pela maior parte dos embarques, seguido pelo conilon, usado em blends e no café solúvel.
Estados Unidos, Alemanha e Itália figuram entre os principais destinos do grão brasileiro, mercados de consumo maduro e demanda estável.
Para os próximos meses, o setor espera que o ritmo forte de junho se mantenha, à medida que a nova safra ganha volume e o café colhido conclui o beneficiamento necessário para exportação.