Operação Lívia mira rede que induzia jovens ao suicídio na internet
Investigação apura grupo que aliciava crianças e adolescentes em comunidades virtuais no Discord e no Telegram
O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou os resultados da Operação Lívia, conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul contra uma organização criminosa que atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais e as submetia a coerção psicológica. Seis pessoas foram alvo da ação, cinco adolescentes e um adulto, e quatro menores haviam sido apreendidos até a divulgação do balanço.
A apuração começou depois da morte de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho, transmitida ao vivo por cerca de 45 minutos em um grupo da rede social Discord. A investigação identificou que o mesmo grupo mantinha comunicação e divulgava eventos pelo Telegram, com transmissões em tempo real no Discord.
Como o grupo agia
Segundo o ministério, os integrantes aliciavam crianças e adolescentes em comunidades fechadas e passavam a exercer controle psicológico sobre as vítimas. A investigação apurou que o grupo incentivava práticas de violência extrema contra animais, desafios de automutilação e o induzimento ao suicídio.
Os investigadores também identificaram movimentação financeira ligada ao aliciamento. Integrantes do grupo abriram uma chave Pix em nome da vítima, sem o conhecimento da mãe, e enviavam dinheiro por esse canal.
O Secretário Nacional de Direitos Digitais apontou descumprimento da legislação por parte das duas plataformas no que diz respeito ao Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, ao Marco Civil da Internet e ao decreto de proteção de mulheres no ambiente digital.
O que a lei exige das plataformas
O ECA Digital criou obrigações específicas para redes sociais e serviços de mensagem que têm usuários menores de idade, entre elas mecanismos de verificação de idade, canais de denúncia acessíveis e remoção ágil de conteúdo que exponha crianças e adolescentes a risco.
- Alvos da operação: seis pessoas, sendo cinco adolescentes e um adulto.
- Apreensões: quatro adolescentes até a divulgação do balanço.
- Plataformas citadas: Discord e Telegram.
- Origem da apuração: morte de uma adolescente de 13 anos, em 22 de julho.
- Legislação apontada: ECA Digital, Marco Civil da Internet e decreto de proteção de mulheres no ambiente digital.
O que fazer diante de um caso assim
Pais e responsáveis que identificarem participação de crianças e adolescentes em grupos com esse padrão devem preservar as conversas, sem apagar o histórico, e procurar a delegacia de proteção à criança e ao adolescente. O Disque 100 recebe denúncias de violação de direitos de menores de idade, com atendimento gratuito e anonimato garantido.
Se você está passando por sofrimento emocional, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188, 24 horas por dia, com ligação gratuita, e também por chat e e-mail no site da entidade. Em situação de emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou os Centros de Atenção Psicossocial da rede pública.
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