Rede publica do DF tem apenas 100 psiquiatras para populacao de 3 milhoes de habitantes
Deficit de especialistas pressiona UPAs e CAPS, onde a fila de espera para consultas pode ultrapassar meses em diversas regioes administrativas
A rede publica de saude mental do Distrito Federal conta com apenas 100 psiquiatras para atender uma populacao de mais de 3 milhoes de habitantes. O deficit e considerado critico por especialistas e explica, em parte, por que quase 30% dos atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF sao motivados por sofrimento psiquico — casos que idealmente deveriam ser acompanhados de forma continua nos Centros de Atencao Psicossocial (CAPS) e nao em unidades de emergencia.
A fila de espera para consulta com psiquiatra na rede publica e longa em diversas regioes administrativas. Em localidades da periferia do DF, pacientes aguardam meses por um primeiro atendimento especializado, periodo durante o qual o quadro clinico pode se agravar significativamente sem acompanhamento adequado.
O problema vai alem dos psiquiatras. Embora os atendimentos psicologicos tenham crescido 204% nos ultimos cinco anos — de 8.297 sessoes em 2018 para 25.222 em 2023 — a demanda ainda supera a capacidade instalada. O pico de outubro de 2023, com mais de 2.500 procedimentos em um unico mes, evidencia a pressao crescente sobre os profissionais disponiveis no sistema.
O Governo do Distrito Federal reconhece o deficit e adotou medidas recentes: criacao da Subsecretaria de Saude Mental, nomeacao de 20 novos psiquiatras e lancamento da plataforma SAMia de triagem por inteligencia artificial. No entanto, especialistas alertam que a expansao ainda esta muito abaixo do necessario. A meta de ampliar os CAPS de 18 para 23 unidades ate o final de 2026 tambem e considerada insuficiente por entidades do setor.
Para quem nao consegue atendimento imediato na rede publica, alternativas com valores acessiveis existem, como clinicas-escola de universidades que oferecem sessoes de psicologia por valores populares. O MPDFT tambem monitora a situacao e cobra cronogramas concretos para expansao dos servicos, especialmente apos os dois obitos registrados em internacoes psiquiatricas no Hospital Sao Vicente de Paula nos ultimos meses.