Politica

GDF anuncia reforma administrativa com foco nas eleições de 2026

Governo do Distrito Federal reorganiza secretarias e cria novos cargos de gestão para melhorar eficiência dos serviços públicos antes do pleito

O Governo do Distrito Federal (GDF) apresentou nesta semana um abrangente pacote de reforma administrativa que prevê a reorganização de ao menos oito secretarias, criação de novos cargos de gestão estratégica e revisão dos contratos de terceirização em vigor. A medida, anunciada em sessão da Câmara Legislativa do DF (CLDF), foi justificada pela necessidade de modernizar o aparato estatal e melhorar a entrega de serviços à população antes das eleições de outubro de 2026.

Segundo o documento encaminhado pelo Executivo à CLDF, a reforma prevê a fusão de duas secretarias de menor porte — a de Regularização Fundiária e a de Habitação — em um único órgão denominado Secretaria de Habitação e Ordenamento Territorial. A medida, de acordo com o governo, vai eliminar sobreposição de funções e reduzir o custo operacional em aproximadamente R$ 28 milhões por ano.

Novas estruturas e cargos comissionados

A proposta também cria a figura do "Coordenador de Entrega", um cargo de nível técnico-político responsável por monitorar metas de entrega em cada regional administrativa. Críticos da medida alertam que a criação de novos cargos comissionados às vésperas das eleições pode servir mais como instrumento de alinhamento político do que como ganho real de eficiência.

A oposição na CLDF já manifestou resistência. Deputados distritais de ao menos três partidos protocolaram requerimento de audiência pública para debater o impacto fiscal da reforma antes da votação em plenário. O líder da bancada de oposição declarou que "não se faz reforma administrativa séria a 18 meses de eleição sem transparência orçamentária completa".

Impacto nos servidores públicos

A Sindigov convocou assembleia para a próxima semana e deve apresentar contraproposta ao governo. A principal preocupação dos servidores é a possibilidade de remanejamentos compulsórios decorrentes das fusões de secretarias, além da incerteza sobre a progressão de carreira nas novas estruturas.

O Secretário de Gestão e Desburocratização afirmou que a reforma será implementada de forma gradual, com prazo de 120 dias para a transição, e que nenhum servidor efetivo perderá cargo ou remuneração. A votação na CLDF está prevista para o início de maio. Se aprovada, a reforma entrará em vigor no segundo semestre de 2026.

1 visualizações