Opep+ eleva produção em 188 mil barris por dia a partir de setembro
Decisão saiu de reunião virtual dos sete maiores produtores do grupo e continua a reversão gradual dos cortes voluntários iniciados em 2023
A Opep+ decidiu aumentar em 188 mil barris por dia a cota de produção de petróleo a partir de setembro. A definição saiu de reunião virtual dos sete maiores produtores do grupo e mantém o ritmo de reversão gradual dos cortes voluntários que o cartel adotou a partir de 2023 para sustentar os preços.
O acréscimo foi dividido entre os países que aderiram ao corte. Arábia Saudita e Rússia ficam com mais 62 mil barris por dia cada uma; o Iraque, com mais 26 mil; o Kuwait, com mais 16 mil; o Cazaquistão, com mais dez mil; a Argélia, com mais seis mil; e Omã, com mais cinco mil.
Por que isso chega ao bolso do brasiliense
O Brasil não integra a Opep+, mas o preço do petróleo é formado no mercado internacional. Quando a oferta cresce sem aumento equivalente da demanda, a cotação do barril tende a ceder, e é essa referência que a Petrobras usa para calibrar o preço da gasolina e do diesel nas refinarias.
O repasse não é automático. A estatal avalia a tendência antes de mexer na tabela, e o preço na bomba ainda depende do ICMS estadual, do custo de distribuição, da margem do posto e da mistura obrigatória de etanol e biodiesel. Um movimento de 188 mil barris por dia é pequeno diante da produção global, o que limita o efeito imediato.
O que vem pela frente
O grupo marcou para 6 de setembro a próxima reunião de avaliação das condições de mercado, quando definirá os níveis de produção seguintes. O calendário de encontros mensais foi mantido justamente para permitir ajustes rápidos caso a demanda global desacelere.
A estratégia atual do cartel é recuperar participação de mercado, cedendo espaço na sustentação de preço. Desde o início da reversão dos cortes, os aumentos vêm em doses mensais, o que dá previsibilidade aos importadores e evita choque de oferta.
Para o consumidor do Distrito Federal, o efeito prático aparece com atraso de semanas e só se confirma se a tendência de baixa se mantiver por tempo suficiente para a Petrobras ajustar o preço de refinaria.