IPCA de setembro sobe 0,82%, maior alta do ano, e 12 meses chegam a 4,58%
IBGE: IPCA de setembro sobe 0,82%, com energia elétrica +7,98% e tomate +37,76%. Em 12 meses, 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta.
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O IPCA de setembro de 2026 ficou em 0,82%, o maior resultado mensal do ano até aqui, segundo o IBGE. O índice acumulou 3,95% em 2026 e 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5% da meta de inflação, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
A divulgação desta sexta-feira, 9, marca uma virada brusca. Em agosto, o índice havia recuado 0,32%, e em julho subira 0,07%. Em dois meses, a conta passou da deflação para a maior alta mensal do ano.
Qual grupo mais pressionou a inflação de setembro?
Habitação foi o grupo de maior peso na conta: subiu 2,31% no mês, quase o triplo do índice geral. O principal item é a energia elétrica residencial, que avançou 7,98% em setembro.
Os demais grupos ficaram mais perto da média, com Transportes em 0,89%, Alimentação e bebidas em 0,83% e Vestuário em 0,71%. Comunicação subiu 0,64%. Na outra ponta, Educação (0,04%) e Saúde e cuidados pessoais (0,08%) praticamente não se mexeram.

O que ficou mais caro no supermercado?
O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,83%, e o tomate aparece como um dos destaques: +37,76% no mês. Entre os hortifrútis, também ficaram bem mais caros o limão (+46,42%), a abobrinha (+29,82%) e a batata-inglesa (+24,07%). O grupo dos tubérculos, raízes e legumes, como um todo, avançou 18,92%.
Houve alívio em outros itens da feira. O pimentão caiu 10,95%, a manga 9,62%, a melancia 8,11% e a cenoura 6,41%. As carnes subiram 0,63%, enquanto o leite longa vida recuou 0,26%.
Gasolina e passagem aérea
Em Transportes, a gasolina subiu 1,21% e a passagem aérea, 9,66%. A passagem aérea, que oscila bastante de um mês para o outro, ficou entre as maiores altas individuais do índice, atrás apenas de itens de hortifrúti.
Os números do IPCA de setembro em resumo
- Variação no mês: 0,82% (agosto: -0,32%; julho: 0,07%)
- Acumulado no ano: 3,95%
- Acumulado em 12 meses: 4,58%, acima do teto de 4,5%
- Habitação: +2,31%, com energia elétrica residencial em +7,98%
- Alimentação e bebidas: +0,83%
- Transportes: +0,89%
O que isso significa para o bolso do brasiliense?
O IPCA é o índice oficial de inflação do país e serve de referência para reajustes de contratos, aluguéis e para a política de juros do Banco Central. Com o acumulado em 12 meses acima de 4,5%, aumenta a pressão sobre o Comitê de Política Monetária, que decide a taxa Selic.
A prévia do mês já indicava a direção. O IPCA-15 de setembro tinha ficado em 0,70% e chegado a 4,47% em 12 meses, a 0,03 ponto do teto. A leitura fechada do mês foi mais alta e ultrapassou o limite. A nossa cobertura da prévia da inflação traz o detalhe daquela divulgação, e o boletim macrofiscal da Fazenda mostra que o governo projetava IPCA de 4,9% para 2026.
O resultado de Brasília, medido pelo IBGE na região metropolitana do Distrito Federal, sai na mesma pesquisa, e o levantamento regional ainda não foi detalhado nesta cobertura. Na prévia de setembro, a inflação na capital tinha ficado em 0,76%, acima da média nacional da prévia.
O mercado já trabalhava com inflação perto do limite. O boletim Focus de 28 de setembro projetava IPCA de 4,99% para o fechamento de 2026, e o resultado de setembro, somado ao acumulado do ano de 3,95%, mostra o tamanho do caminho que falta até dezembro: os últimos três meses do ano precisam fechar com alta bem menor que a de setembro para a projeção se confirmar.
Quando sai o próximo IPCA?
O IBGE divulga o IPCA de outubro em novembro, e a prévia do mês, o IPCA-15, costuma sair na segunda quinzena de outubro. O acompanhamento mensal ajuda a entender se a alta de setembro foi pontual, como costuma ocorrer com energia e hortifrúti, ou se vira tendência.
Os dados desta reportagem vêm da tabela 7060 do Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA), que reúne a série do IPCA por grupo, subgrupo e item.