Seguranca

DF registra alta nos casos de feminicídio e acende alerta para políticas de proteção

Dados do primeiro trimestre de 2026 mostram crescimento preocupante nos crimes de gênero no Distrito Federal.

O Distrito Federal registrou um crescimento preocupante nos casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do GDF. O número de mulheres mortas em decorrência de violência de gênero nos primeiros três meses do ano superou o registrado no mesmo período do ano anterior, acendendo um sinal de alerta para autoridades, entidades de defesa dos direitos das mulheres e a sociedade civil organizada.

A maior parte dos crimes ocorreu no ambiente doméstico, perpetrada por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. As regiões administrativas com maior incidência são as de maior densidade populacional, como Ceilândia, Samambaia e Taguatinga, embora casos tenham sido registrados em praticamente todas as cidades-satélites do DF. A faixa etária mais atingida está entre 25 e 45 anos.

A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) do DF informou que recebeu um volume maior de boletins de ocorrência por violência doméstica no trimestre, o que os especialistas interpretam como um duplo sinal: aumento real da violência e, ao mesmo tempo, maior disposição das vítimas em buscar ajuda. A subnotificação, porém, ainda é considerada elevada.

Organizações feministas e entidades de proteção às mulheres realizaram ato público nesta semana em frente à CLDF pedindo aprovação urgente de projetos que ampliem a rede de abrigos para mulheres em situação de risco e aumentem os recursos destinados às delegacias especializadas. O grupo entregou um dossiê com casos documentados ao presidente da Câmara Legislativa.

A Secretaria de Segurança Pública anunciou que está reforçando o protocolo de patrulhamento preventivo nas áreas de maior risco e que está em análise a criação de um plantão noturno exclusivo na DEAM para atendimento de urgência. O governo também prometeu ampliar as campanhas de conscientização sobre o Ligue 180 e o aplicativo de denúncia da violência doméstica.

Especialistas em segurança pública e gênero alertam que o combate ao feminicídio exige uma abordagem multissetorial, envolvendo educação, assistência social e saúde, e não apenas repressão policial. O DF possui uma rede de proteção ainda considerada insuficiente diante da demanda real, e a ampliação dos serviços especializados é apontada como urgente por todos os setores que acompanham o tema.

2 visualizações