Catar leva a Teera proposta para encerrar guerra entre EUA e Ira
Rascunho de 14 pontos preve reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias e liberacao de US$ 25 bilhoes em ativos iranianos congelados
Negociadores do Catar viajaram a Teera na madrugada deste sabado, 14, para tentar fechar um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Ira que encerre a guerra iniciada no comeco do ano. O documento ainda nao foi assinado.
O rascunho em discussao tem 14 pontos. Pelo texto, o Ira reabriria o Estreito de Ormuz e, em paralelo, os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio naval aos portos iranianos. A reabertura da rota estaria prevista para ocorrer em ate 30 dias.
Washington tambem liberaria US$ 25 bilhoes em ativos iranianos congelados, parte deles em transferencias diretas em dinheiro, alem de nao impor novas sancoes ate um acordo final e de suspender as sancoes ao petroleo iraniano.
Em troca, Teera se comprometeria a nao produzir nem comprar armas nucleares, a interromper o enriquecimento de novo uranio ate a conclusao de um acordo definitivo e a diluir, dentro do pais, seu estoque de uranio altamente enriquecido.
Acordo segue incerto
O Ira ainda nao anunciou decisao final sobre os termos. Setores linha-dura no pais se mobilizaram contra o entendimento as vesperas de uma possivel cerimonia de assinatura.
Os ataques de Israel ao Libano, que prosseguiram neste fim de semana com bombardeios no sul libanes e em Beirute, levaram autoridades iranianas a levantar duvidas sobre o acordo. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que comentarios atribuidos a autoridades iranianas sobre o pacto nao correspondem ao que foi efetivamente negociado.
Por que interessa ao Brasil
O desfecho da guerra mexe diretamente com o preco do petroleo, que pressiona combustiveis e inflacao no Brasil. A perspectiva de reabertura de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petroleo mundial, ja derrubou cotacoes internacionais nos ultimos dias.
Uma trégua tambem alivia o risco geopolitico que vinha sustentando o dolar em patamar elevado. Para o governo brasileiro, que defende solucao negociada para conflitos, a mediacao do Catar reforca o peso de potencias medias na diplomacia, agenda que o Itamaraty leva ao G7.