Economia

Setores produtivos consideram corte da Selic insuficiente

Entidades empresariais avaliam que redução para 14,25% fica aquém do necessário

Entidades ligadas a setores produtivos e representações empresariais classificaram como insuficiente a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano, decidida pelo Copom na reunião de junho. Para esses grupos, o corte de 0,25 ponto percentual fica aquém do que a atividade econômica precisaria para ganhar tração.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de base para o custo do crédito no país. Quanto mais alta, mais caro fica o financiamento que empresas tomam para investir, produzir e contratar. Por isso, o patamar dos juros costuma estar no centro das preocupações do setor produtivo, que vê na taxa um dos principais entraves para a expansão dos negócios.

Na avaliação das entidades, a redução anunciada pelo Banco Central não altera de forma relevante esse quadro. Mesmo após dois cortes consecutivos de 0,25 ponto, em abril e em junho, a taxa segue em nível considerado elevado pelos representantes empresariais. Para eles, um juro nessa faixa ainda encarece o crédito de longo prazo, justamente o tipo de financiamento de que indústria e comércio precisam para crescer.

A crítica recai sobre o efeito prático da decisão. Um recuo modesto na Selic, segundo esse entendimento, demora a chegar ao caixa das empresas e não cria fôlego imediato para novos investimentos ou para a ampliação da produção. O argumento é que cortes pequenos têm impacto limitado quando o ponto de partida é uma taxa de dois dígitos.

Por que o setor produtivo cobra juros menores

Empresas dependem de crédito para financiar capital de giro, comprar máquinas e expandir operações. Com juros altos, esse financiamento encarece e muitos projetos deixam de sair do papel, o que limita a geração de empregos e a oferta de produtos. O custo do dinheiro entra na conta de praticamente toda decisão de investimento, da pequena loja que quer abrir uma nova unidade à indústria que pensa em modernizar uma linha de produção.

Os representantes do setor argumentam que reduções mais firmes da Selic ajudariam a destravar decisões de investimento que estão paradas à espera de condições melhores de crédito. Em períodos de juros elevados, é comum que empresários adiem compras e contratações, segurando recursos até que o cenário fique mais previsível e o crédito, mais barato.

O Banco Central, por sua vez, conduz a política monetária com foco no controle da inflação, o que costuma exigir cautela no ritmo dos cortes. Reduzir os juros rápido demais pode reaquecer a demanda e pressionar os preços, efeito que a autoridade monetária procura evitar. Esse é o ponto de tensão recorrente entre quem produz e quem define a taxa.

No Distrito Federal, onde o comércio e os serviços têm peso importante na economia, o custo do crédito influencia diretamente a disposição de empresários para investir e contratar, o que ajuda a explicar a sensibilidade do setor ao tema. Lojistas, prestadores de serviço e pequenas indústrias da região sentem o efeito dos juros tanto no financiamento de estoques e equipamentos quanto na capacidade de seus clientes de comprar a prazo.

A relação entre juros e geração de emprego está no centro do argumento empresarial. Quando o crédito é caro, as empresas seguram contratações e adiam a abertura de novas frentes de trabalho, porque qualquer expansão exige recursos que, financiados, pesam mais no caixa. Cortes mais firmes na Selic, na visão das entidades, abririam espaço para que esses planos voltassem à mesa e ajudassem a movimentar a economia.

Há ainda o efeito sobre o consumo. Como os juros baixos barateiam o crédito para o consumidor, a demanda por produtos e serviços tende a crescer, o que beneficia diretamente quem produz e vende. Por isso, o setor produtivo costuma defender uma queda mais acelerada da taxa, mesmo reconhecendo que o Banco Central precisa equilibrar esse estímulo com o controle da inflação.

Os principais pontos do posicionamento das entidades:

  • avaliação de que o corte para 14,25% foi insuficiente;
  • redução de apenas 0,25 ponto percentual em junho;
  • taxa ainda considerada elevada para o setor produtivo;
  • demanda por reduções mais robustas para estimular investimentos.

O debate entre o ritmo desejado pelo setor produtivo e a cautela do Banco Central deve continuar nas próximas reuniões do Copom. Veja mais análises de economia no DistritoNews.

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