Fed mantem juro e da tom duro na estreia de Kevin Warsh
Banco central dos EUA preservou taxa entre 3,5% e 3,75% e metade dos dirigentes ja projeta alta de juros ainda em 2026
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira, 17 de junho, a taxa basica de juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. A decisao era amplamente esperada pelo mercado, que atribuia probabilidade praticamente nula a qualquer mudanca imediata.
Foi a primeira reuniao sob o comando de Kevin Warsh, novo presidente do Fed, que conduziu tambem sua primeira entrevista coletiva no cargo. O encontro foi acompanhado de perto pela mudanca de tom da instituicao.
Projecoes mais duras
O chamado dot plot, grafico que reune as projecoes dos dirigentes, ficou mais duro. Dos 18 membros que apresentaram previsao, nove passaram a enxergar alta de juros ainda em 2026. O mercado precifica cerca de 60% de chance de aumento de 0,25 ponto na reuniao de 8 e 9 de dezembro.
A guinada reflete inflacao mais persistente que o esperado. O indice de precos ao consumidor de maio subiu 4,2% em 12 meses, bem acima da meta de 2%. A projecao de inflacao PCE para o fim de 2026 foi elevada a 2,7%, e o crescimento do PIB americano, a 2,4%.
Impacto no Brasil
Juro alto e firme nos Estados Unidos encarece o dolar e dificulta a queda de juros no Brasil. Com o Fed sinalizando possivel aperto, o real perde um dos principais argumentos para a valorizacao, e o Banco Central brasileiro ganha mais um motivo de cautela.
A decisao americana saiu no mesmo dia em que o Copom anuncia, em Brasilia, a nova taxa Selic. O alinhamento das duas reunioes deixou o mercado financeiro brasileiro em compasso de espera ao longo do dia.